Tecnologia

Brinquedos com IA: pediatras recomendam verificar coleta de dados e simulação de afeto

Nota da SBP de 9 de outubro, retomada nesta quarta, orienta famílias a avaliar transparência e adequação à idade antes da compra.

Fachada de uma loja Ri Happy no Shopping Recife, em imagem de arquivo de 2008
Loja de brinquedos no Shopping Recife, em fevereiro de 2008. Foto ilustrativa de arquivo: Francisco Andrade/Wikimedia Commons — CC BY-SA 2.0. Não mostra um brinquedo com IA nem produto avaliado pela SBP.

Brinquedos que usam inteligência artificial para conversar exigem atenção a aspectos que vão além da aparência e da promessa de entretenimento. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que famílias verifiquem quais dados são coletados, como o sistema responde e se os mecanismos de proteção são adequados à idade.

As orientações constam da Nota de Orientação e Alerta nº 70, de 9 de outubro de 2026. A entidade apresentou o documento em seu site no dia 13, e a Agência Brasil retomou o tema nesta quarta-feira (21). Portanto, o alerta não foi emitido pela primeira vez hoje.

Conversar não transforma a IA em uma pessoa

Microfones, câmeras, conexão à internet e memória de interações podem fazer parte desses produtos. A SBP chama atenção para recursos que simulam amizade ou cuidado e recomenda que a criança compreenda que está interagindo com um sistema automatizado.

O que observar antes de comprar

Segundo a entidade, devem estar claras a indicação etária, a necessidade de supervisão, o destino das informações e a possibilidade de apagá-las. A família também deve avaliar o que a tecnologia acrescenta à brincadeira e o espaço que ocupa na rotina.

A nota não conclui que todo brinquedo conectado provoca dano. Os pediatras diferenciam tipos de tecnologia e destacam que seus efeitos de longo prazo ainda precisam ser estudados. Quando benefícios e proteções não estão claros, orientam priorizar alternativas sem esses recursos.