Política

Ato pró-Flávio termina em confronto na UFRN; MPF abre apuração

Episódio de 19 de outubro envolveu apoiadores de Lula e Flávio em Natal; grupos apresentam versões diferentes sobre agressões, e universidade anuncia providências.

Manifestantes com camisetas amarelas, carro de som e boneco inflável durante ato na UFRN
Ato político na UFRN, em Natal, em 19 de outubro de 2026. Quadro da reportagem da TV Universitária do RN exibida pela TV Brasil em 20/10. Reprodução: TV Universitária do RN/TV Brasil. Fonte, com reprodução autorizada mediante crédito.

Um ato em apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou em confronto com estudantes e grupos opositores na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, na segunda-feira, 19 de outubro. Houve relatos de agressões e ao menos um estudante ferido, segundo o UOL.

Na terça-feira, 20 de outubro, o Ministério Público Federal anunciou a abertura de um procedimento sobre possíveis intimidações e ameaças às liberdades de reunião e expressão em instituições federais de ensino do estado. Os episódios da UFRN também foram encaminhados às áreas eleitoral e criminal do órgão.

O que ocorreu no campus

A mobilização foi divulgada como “Vire à direita: UFRN Anti-Lula”. Segundo a CNN Brasil, foi organizada por estudantes dos movimentos Direita UFRN e Endireita RN e teve a presença do deputado federal General Girão (PL-RN).

O Correio Braziliense relatou vídeos de discussão, empurrões e agressões entre apoiadores de Lula e de Flávio, incluindo um confronto junto a um portão que foi danificado. A reportagem também registrou a manifestação de solidariedade da Associação de Pós-Graduandos e do Diretório Central dos Estudantes a um aluno ferido.

Segundo relatos colhidos pelo UOL, estudantes reclamaram do volume do som e da interferência nas aulas. A aproximação de estudantes e professores do ato foi seguida por troca de insultos entre os grupos.

Versões sobre as agressões

À CNN, a dirigente do Direita UFRN, Paula Castelo Branco, apresentou o ato como uma reação à intimidação de estudantes conservadores. Integrantes do movimento afirmaram ter sofrido agressões e tentativas de expulsão. Girão relatou pedras atiradas contra o grupo e danos a veículos.

Do outro lado, representantes de esquerda denunciaram agressões contra estudantes e militantes. O estudante de jornalismo Henrique Neiva afirmou ter sido agredido. As acusações dos participantes não estabelecem, por si, quem iniciou a violência ou a responsabilidade individual de cada envolvido.

Universidade diz que aulas foram interrompidas

Em nota reproduzida pela CNN Brasil em 20 de outubro, a reitoria repudiou a violência e afirmou que a manifestação ocorreu sem autorização institucional. A universidade relatou danos ao patrimônio, ameaças à integridade de estudantes e servidores e interrupção de atividades acadêmicas.

A instituição anunciou medidas administrativas e judiciais para apurar os fatos. Essa posição é a manifestação da administração universitária, não uma conclusão judicial sobre as responsabilidades.

Apuração do MPF abrange outras instituições

O procedimento foi aberto em 20 de outubro pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão. Além da UFRN, abrange ocorrências na Universidade Federal Rural do Semi-Árido, em Mossoró, e no campus Apodi do Instituto Federal do Rio Grande do Norte.

O MPF pediu informações sobre os episódios, as medidas de proteção adotadas e as regras para manifestações nesses espaços. O comunicado menciona suspeitas de bloqueio de atos, retirada de cartazes e faixas, incitação à violência e uso indevido de prerrogativas de autoridade.

Ao encaminhar os acontecimentos da UFRN à Procuradoria Regional Eleitoral e ao núcleo criminal, o órgão informou que considera possíveis repercussões nessas áreas. A abertura da apuração não equivale a denúncia criminal, condenação ou confirmação de todas as versões apresentadas.