
Um ato em apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou em confronto com estudantes e grupos opositores na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, na segunda-feira, 19 de outubro. Houve relatos de agressões e ao menos um estudante ferido, segundo o UOL.
Na terça-feira, 20 de outubro, o Ministério Público Federal anunciou a abertura de um procedimento sobre possíveis intimidações e ameaças às liberdades de reunião e expressão em instituições federais de ensino do estado. Os episódios da UFRN também foram encaminhados às áreas eleitoral e criminal do órgão.
O que ocorreu no campus
A mobilização foi divulgada como “Vire à direita: UFRN Anti-Lula”. Segundo a CNN Brasil, foi organizada por estudantes dos movimentos Direita UFRN e Endireita RN e teve a presença do deputado federal General Girão (PL-RN).
O Correio Braziliense relatou vídeos de discussão, empurrões e agressões entre apoiadores de Lula e de Flávio, incluindo um confronto junto a um portão que foi danificado. A reportagem também registrou a manifestação de solidariedade da Associação de Pós-Graduandos e do Diretório Central dos Estudantes a um aluno ferido.
Segundo relatos colhidos pelo UOL, estudantes reclamaram do volume do som e da interferência nas aulas. A aproximação de estudantes e professores do ato foi seguida por troca de insultos entre os grupos.
Versões sobre as agressões
À CNN, a dirigente do Direita UFRN, Paula Castelo Branco, apresentou o ato como uma reação à intimidação de estudantes conservadores. Integrantes do movimento afirmaram ter sofrido agressões e tentativas de expulsão. Girão relatou pedras atiradas contra o grupo e danos a veículos.
Do outro lado, representantes de esquerda denunciaram agressões contra estudantes e militantes. O estudante de jornalismo Henrique Neiva afirmou ter sido agredido. As acusações dos participantes não estabelecem, por si, quem iniciou a violência ou a responsabilidade individual de cada envolvido.
Universidade diz que aulas foram interrompidas
Em nota reproduzida pela CNN Brasil em 20 de outubro, a reitoria repudiou a violência e afirmou que a manifestação ocorreu sem autorização institucional. A universidade relatou danos ao patrimônio, ameaças à integridade de estudantes e servidores e interrupção de atividades acadêmicas.
A instituição anunciou medidas administrativas e judiciais para apurar os fatos. Essa posição é a manifestação da administração universitária, não uma conclusão judicial sobre as responsabilidades.
Apuração do MPF abrange outras instituições
O procedimento foi aberto em 20 de outubro pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão. Além da UFRN, abrange ocorrências na Universidade Federal Rural do Semi-Árido, em Mossoró, e no campus Apodi do Instituto Federal do Rio Grande do Norte.
O MPF pediu informações sobre os episódios, as medidas de proteção adotadas e as regras para manifestações nesses espaços. O comunicado menciona suspeitas de bloqueio de atos, retirada de cartazes e faixas, incitação à violência e uso indevido de prerrogativas de autoridade.
Ao encaminhar os acontecimentos da UFRN à Procuradoria Regional Eleitoral e ao núcleo criminal, o órgão informou que considera possíveis repercussões nessas áreas. A abertura da apuração não equivale a denúncia criminal, condenação ou confirmação de todas as versões apresentadas.



